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Diário do Vereador


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28/08/2020
Webinário "Economia Criativa e a Inovação na Cidade" debate desafios do setor

Foi realizada, na última quinta-feira (27/08), uma edição especial do “Saídas para a Crise”, com o webinário “Economia Criativa e a Inovação na Cidade”, sob mediação do vereador de São Paulo Daniel Annenberg (PSDB), com a participação de Renato Terra, diretor-executivo da XRBR; Jaqueline Oliveira, presidente da EraTransmidia; Simon Szacher, CEO do Pixel Show Festival de Criatividade; e Rose Meusburger, youtuber, empreendedora social e mentora para empreendimentos criativos. Na pauta, os desafios do setor, empreendedorismo, criatividade e a importância da tecnologia nos novos negócios.


Reconhecida como uma das principais áreas nas esferas econômica e social, principalmente por ser a base de segmentos como cultura, moda, design, desenvolvimento de softwares e aplicativos, turismo e entretenimento, a economia criativa não apenas gera emprego, renda e inclusão, como também tem o potencial de contribuir com o futuro das cidades e das pessoas. Como destacou o vereador Daniel Annenberg na abertura do encontro virtual, “isso só é possível se nos dedicarmos às pautas de inovação e tecnologia, que são fundamentais para o bom desenvolvimento da economia criativa”.


Fortemente afetada pela crise do coronavírus, os segmentos da economia criativa enfrentam uma crise paralela, desencadeando uma grande perda de renda, que tem levado profissionais e empreendedores a um movimento mais intenso e mais difícil do que já era. Respondendo sobre quais medidas são primordiais para garantir a sustentabilidade de projetos e causas na área da economia criativa, Jaqueline Oliveira acredita que não só as áreas privadas, mas também o governo precisa se dedicar às políticas públicas, para aquecer o setor. “Não só com receita (investimento), mas barateando o acesso ao conhecimento. Pequenos e médios empreendedores são empresas que empregam muita gente. A grande maioria dessas empresas precisou migrar do analógico para o digital; do presencial para o virtual. Então o governo precisa se comprometer em promover a troca de conhecimento de forma gratuita: cursos, eventos, informações de qualidade, ações que deem acesso para esses empreendedores, para que as pessoas possam colocar em prática em seus negócios e a área não pare”, explicou Jaqueline.


Seguindo o mesmo raciocínio, Rose Meusburger acrescentou, em números, a relevância da área e defendeu a necessidade de internet livre para todos. “A economia criativa é centrada nos pequenos negócios e movimenta o país todo: 80% dos empregos estão nas pequenas empresas. As políticas públicas permitem alavancar e fortalecer esses empreendimentos, para que os negócios não parem. Estamos descobrindo novas formas de fazer, procurando alternativas criativas para sair desse momento. O governo precisa entrar com capacitações, mas também com políticas de acesso à internet livre em todo o território, por exemplo. Isso é imprescindível, pois o empreendedor precisa da internet para tocar seu negócio, oferecer seus produtos e serviços nas plataformas”, defendeu Rose.


Para Rodrigo Terra, além de formação e acesso livre à internet, é preciso reforçar a infraestrutura, uma vez que vivemos um momento de aceleração. “Na área de produtores, criação e transformação digital, estamos em uma situação na qual não temos para onde correr. Então, depois de seis meses de pandemia, vejo que estamos ganhando alguns anos de avanço, inclusive no entendimento das necessidades dessas ferramentas e plataformas digitais, para que que o desenvolvimento delas não tenha mais barreiras. Não se trata mais de uma questão competitiva, mas de urgência. O Wi-Fi Livre é um projeto incrível, que nasceu em outras capitais do mundo e foi implementado em São Paulo. Precisamos agora, além de seguir ampliando o acesso à internet, da disponibilização de equipamentos (computador, acesso básico, acesso ao device (dispositivos). É a oportunidade de virar o jogo: entender a tecnologia como política para entrar no desenvolvimento dela”, explicou Rodrigo Terra, que destaca, ainda, a importâncias das áreas de realidades virtual, aumentada e estendida, na qual atua. “Essa tecnologia precisa ser entendida como um meio de comunicação e precisa ser inserida no rol dos investimentos. Pautas como impostos precisam ser revistas, para importação de equipamentos e trazer novas tecnologias para o setor, como já acontece com os videogames, por exemplo”.


Daniel Annemberg deu continuidade ao webinário lembrando que inclusão digital é inclusão social, portanto, assunto de grande interesse público. Ele lembrou que o Wi-Fi Livre teve início com 120 pontos de Wi-Fi pela cidade de São Paulo, e que esse número foi ampliado para 300 pontos no atual governo. “Mostrando o nosso compromisso na continuidade de políticas públicas para benefício da cidade e nosso trabalho para que isso continue sendo ampliado”, disse Daniel. Ele destacou, ainda, a criação da Frente Parlamentar dos Games, na Câmara Municipal, “que tem dado espaço aos interesses dessa indústria maravilhosa, para que a gente possa alavancar ainda mais o setor”, disse.


Simon Szacher, na sequência, lembrou que no universo de milhões de microempresários da economia criativa, alguns subsetores foram mais impactados, como as empresas de eventos, que precisam ser vistas com uma certa urgência. “O setor público precisa entender as necessidades atuais, pois elas estão se transformando. A gente precisa quebrar um monte de paradigmas, pois estamos acostumados a regras estabelecidas há muitos anos, mas o mundo mudou. O peso da máquina pública tem uma outra realidade. É um momento de pedir ajuda do governo e o poder público entender essas questões de forma mais rápida e conseguir atender. Há governos de alguns países que estão disponibilizando empréstimos com taxas pequenas, que não oferecem novo risco para o pequeno empresário. O poder público precisa pensar”, ponderou Simon. Citando um exemplo de mudança forçada, o evento que realiza todo ano, o Pixel Show – Festival de Criatividade será 100% online em 2020. Realizar evento físico tem custo, mas fazer um virtual também demanda investimento (desenvolvimento de plataformas, palestrantes, produção etc.). “No evento físico a gente cobra ingresso, que nem todo mundo pode pagar. Então na versão online pode ser que quem não podia pagar no presencial consiga participar, além de atrair pessoas de fora do Brasil. Nessa edição haverá uma única atividade de graça, pois não consigo oferecer tudo de graça ao público. Então, como que educa as pessoas para que elas compreendam como é fazer um evento 100% online? Temos que pensar em tudo”, completa Simon Szacher.


Economia criativa em números


No Brasil, a economia criativa é responsável por mais de um milhão de empregos diretos e as atividades que o setor desempenha geram 2,64% do PIB brasileiro, segundo estudo feito com base em dados do IBGE.


No Estado de São Paulo, onde a economia criativa demonstra sua maior força no país, o setor abarca 47% do PIB criativo brasileiro, representando a cultura e a economia criativa 4% do PIB estadual; gerando 330 mil empregos diretos; reunindo 100 mil empresas e instituições paulistas. Desse total, 50% é gerido na capital.


Na cidade de São Paulo, segundo pesquisa da Prefeitura, a economia criativa movimenta cerca de 40 bilhões de reais por ano (10% do PIB do município).