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Diário do Vereador


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15/09/2020
O tradicional Pletzel, no Bom Retiro, ganha obras de revitalização

Esta semana estive visitando o bairro do Bom Retiro, área tradicional do centro de São Paulo. Eu e minha equipe fomos checar as obras num local bem conhecido pela comunidade judaica, apelidado de Pletzel, que em iídiche quer dizer pracinha, e está em reforma para sua revitalização. Fui ao local muito bem acompanhado pelo Rabino Toive Weitman, pelo subprefeito da Sé, Roberto Arante, e o chefe de gabinete da Subprefeitura da Sé, Irineu Ferraz, pelo presidente do CONSEG (Conselho Comunitário de Segurança) do Bom Retiro, Saul Paves, e ainda membros do Grupo Bom Retiro Bronx Schteitl.

Essa região no Bom Retiro tem uma ligação especial com a cultura judaica. Durante muitos anos as esquinas onde se cruzam as ruas da Graça, Correia de Melo e Ribeiro de Lima formaram um ponto de encontro quase que obrigatório da comunidade. Foi no Pletzel que os primeiros imigrantes judeus se reuniam para compartilhar notícias, conversar, falar da saudade da terra sagrada e, claro, fazer negócios.

Há alguns meses, fomos procurados pelo grupo Bom Retiro Bronx Schtatel. Formado para preservar a memória do bairro, o grupo buscava apoio para revitalizar o local. Foi um prazer atender a essa demanda e conseguimos destinar recursos para uma obra no encontro das três ruas. A reforma começou em setembro e deverá ser concluída em outubro. Uma vez terminadas as obras, vamos instalar um marco histórico no local para reverenciar a importância desse ponto de encontro para as gerações judaicas paulistanas que vieram antes de nós.

O bairro do Bom Retiro tem um significado especial para mim. Minhas lembranças de infância têm cheiro e gosto da comida servida pela minha bisavó Bruche em dias de festa. Era um banquete de guefilte fish, pasta de ovo e de fígado, varenike e pão preto. Minha babe morou no bairro a vida toda, aliás, como uma boa parcela dos imigrantes judeus da primeira metade do século XX na nossa cidade.

O bairro, famoso por seu comércio, tem por característica abrigar uma miscigenação de culturas, com imigrantes coreanos, italianos, gregos, e mais recentemente bolivianos, além da comunidade judaica. Esse fluxo de imigrantes se intensificou a partir de 1867, com a inauguração da Estação da Luz, já que por causa dela, o bairro tornou-se passagem obrigatória de imigrantes que chegavam do Porto de Santos. A imigração judaica aumentou na década de 30, com muitos fugindo da Europa às vésperas da Segunda Grande Guerra.

Aliás, minha babe contava que ela e os filhos, entre eles o meu avô Isaac, partiram para o Brasil em um dos últimos navios a deixar a Polônia antes da guerra. Meu avô chegou em São Paulo com 19 anos e logo começou a vender gravatas no Bom Retiro para pôr comida na mesa. De gravatas passou a vender móveis e assim, anos depois, fundou as Lojas Takser, ainda no Bom Retiro.

Veio de nós, judeus, a vocação comercial do bairro que permanece até hoje. Quando nossos primeiros ancestrais chegaram ao Bom Retiro, ele ainda era um bairro essencialmente residencial. Foram as inúmeras confecções judaicas fundadas nos anos 1930 e 1940 que mudaram a sua cara. Embora já tenhamos sido maioria, hoje em dia apenas 20% das lojas do bairro são administradas por membros da comunidade.

Apesar de não sermos mais hegemônicos no bairro, a nossa cultura ainda tem uma presença forte na região. É lá que se encontram algumas das nossas principais instituições como o Ten Yad, a Unibes, o Memorial do Holocausto e a Casa do Povo, por exemplo. Os quatro quilômetros quadrados do bairro abrigam nove sinagogas, entre elas a mais antiga de São Paulo, a Sinagoga Kehilat Israel.