Diário do vereador

17/09/20

ARTIGO – NOSSA SAÚDE MENTAL EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge 5,8% da população brasileira, taxa que está acima da média global de 4,4%. Em todo o mundo, apenas metade das pessoas que sofrem de depressão está em tratamento. O suicídio faz cerca de 12 mil vítimas por ano no Brasil. Em 2017, foram registrados 547 óbitos por suicídio na cidade de São Paulo, representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Setembro é o mês de prevenção ao suicídio e, em tempos de isolamento social, é urgente falarmos sobre como a pandemia tem afetado a nossa saúde mental e quais mecanismos podem nos ajudar a superar essa situação.


São inúmeros os fatores relacionados à Covid-19 que contribuem para o sofrimento psicológico da população. Pesquisa feita pela Associação Brasileira de Psiquiatria indica que quase metade dos profissionais tiveram um aumento do número de atendimentos após o início da pandemia. O isolamento social, o risco de contaminação, o impacto econômico e as mudanças na rotina ocasionadas pelo distanciamento social são os principais motivos para o agravamento do estado emocional dos cidadãos e cidadãs em todo o mundo. No Brasil, a falta de coordenação do governo federal na condução política de combate e prevenção ao novo coronavírus é um agravante nesse quadro, já que gera incertezas sobre nosso futuro coletivo.


Conforme temos comentado, as tecnologias da informação e comunicação têm sido ferramentas cruciais para a continuidade da vida social em um contexto de isolamento. A internet tem sido indispensável para garantir comunicação, acesso à informação, prestação de serviços públicos, comércio eletrônico, trabalho remoto, ensino à distância e consumo de cultura. A pesquisa TIC Covid-19 sobre o uso da internet no Brasil durante a pandemia do coronavírus indica que o tráfego da rede atingiu um volume inédito no país nos últimos meses. O resultado também aponta que a pandemia acelerou a digitalização do dia-a-dia de um contingente importante de estudantes e trabalhadores, ainda que de maneira extremamente desigual entre as diferentes camadas sociais.


Estudiosos, no entanto, têm alertado para um outro tipo de relação entre bem-estar e tecnologia ao apontar para o aumento da depressão e ansiedade causadas pelo uso excessivo de redes sociais, a diminuição do poder de foco e concentração e o sono prejudicado pelas luzes das telas e pelo consumo exacerbado de conteúdo. Nos EUA, fala-se em um efeito “zooming”, em referência ao aplicativo de videoconferências Zoom, e no impacto que inúmeras reuniões online têm na saúde física e mental das pessoas. Segundo Cristiano Nabuco, psicólogo e coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP, as redes sociais se tornaram uma “janela para o mundo” durante a pandemia, mas é preciso ter atenção ao seu uso em excesso.


Se por um lado o excesso de telas pode ser prejudicial à saúde, elas também podem ser importantes aliadas para atenuar os sentimentos de solidão, desamparo, tédio e tristeza, sobretudo de idosos e pessoas que fazem parte do grupo de risco. O uso de aplicativos pode garantir maior autonomia, segurança e uma maneira lúdica de se passar o tempo; as ligações e videochamadas podem nos manter mais próximos, ainda que não fisicamente, garantindo minimamente um contato humano. Desse modo, o uso consciente da tecnologia pode ser uma ferramenta essencial para amenizar os efeitos psicológicos negativos da quarentena.


Como não poderia deixar de ser, os governos e o poder público têm um papel crucial no enfrentamento a essa “pandemia oculta” que corre em paralelo à Covid-19. A OMS alertou que a pandemia já estaria causando um sério impacto na saúde mental das pessoas e indica que governos aumentem urgentemente o investimento em atendimento e políticas preventivas para doenças psicológicas. Não é o que temos observado no governo federal. O Ministério da Saúde não apenas tem falhado no combate à doença, como também não apresenta diretrizes ou coordenação para serviços de cuidado a pessoas com transtornos psicossociais nesse momento. 


No âmbito municipal, a Prefeitura de São Paulo oferece atendimento na área de saúde mental em seus 93 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), proporcionando acolhimento e tratamento terapêutico individual específico para cada situação. Através do SP156, também é possível identificar as unidades hospitalares que  oferecem assistência específica em casos de emergência em saúde mental.


Políticas e serviços públicos voltados à saúde mental são essenciais na resposta contra a Covid-19. Mas, além disso, precisamos escutar, acolher, buscar os mecanismos adequados para prevenir quadros de agravamento ou surgimento de problemas de saúde psicológica e mental e estimular rotinas saudáveis. Também vale seguir algumas dicas da OMS e da Fiocruz para manter a mente saudável durante o isolamento social: procure manter as rotinas de sono; faça exercícios físicos e atividades de lazer que ajudem na redução do nível de stress; mantenha uma alimentação saudável; cuide daqueles que estão próximos a você; mantenha o contato com familiares e amigos frequentemente, mesmo que de maneira virtual; reconheça e acolha os seus receios e medos e converse com pessoas de confiança; busque fontes confiáveis de informação e tente reduzir o tempo que passa assistindo coberturas midiáticas. Podemos encontrar mais informações sobre lidar com crises no site do Centro de Valorização da Vida – CVV e no site oficial da campanha do Setembro Amarelo

Você não está só – se necessário, busque ajuda.