Diário do vereador

17/11/20

Cidades inteligentes e inclusivas para a população idosa

Já não é novidade ouvirmos que a população mundial está envelhecendo. Pirâmides etárias invertidas (gráficos que mostram a distribuição de diferentes grupos etários por gênero em uma população) já são uma realidade em países desenvolvidos. Nas últimas décadas, temos visto essa tendência também nos países do Hemisfério Sul, onde a população idosa vem aumentando.

Segundo projeções do IBGE, o Brasil tem hoje mais de 28 milhões de pessoas idosas – o equivalente a 13% da população – e esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas. As estimativas apontam que a população brasileira deverá parar de crescer a partir de 2047, o que contribuirá para que a proporção da população mais velha ultrapasse a proporção de jovens. Uma das principais causas para essa tendência é o decrescente número de nascimentos por ano, atrelado ao aumento da expectativa de vida da população brasileira. Os números nacionais são refletidos na cidade de São Paulo, que possui hoje 1,7 milhão de idosos e idosas, equivalente a 15% da sua população. O crescimento do percentual da população idosa paulistana também acompanha a perspectiva nacional.

Para assegurar a qualidade de vida da população idosa de hoje e do futuro, é preciso garantir o seu acesso à saúde, trabalho, assistência social, educação, cultura, lazer, esporte, habitação, mobilidade e segurança. No Brasil, esses direitos são regulamentados pela Política Nacional do Idoso, de 1994, e pelo Estatuto do Idoso, sancionado em 2003. Esses documentos servem de base para a construção de políticas públicas de atenção a essa população. Como as cidades podem estar mais bem preparadas para atender ao aumento da sua população idosa, garantindo maior acessibilidade, igualdade, segurança, participação social e saúde para todos e todas? Como garantir que nossas cidades sejam inteligentes também para os mais velhos?

Pessoas idosas podem ter mobilidade reduzida em comparação às mais jovens. Por isso, cidades inteligentes devem garantir acessibilidade em suas ruas, calçadas e sinalização, com a utilização de materiais antiderrapantes que tornem a caminhada mais segura para todas e todos. É preciso também incentivar o uso qualificado dos espaços públicos por essa população. Áreas de lazer, como praças, parques e academias ao ar livre devem ser projetadas e receber manutenção adequada para o uso dos idosos.

A tecnologia também pode desempenhar um importante papel na integração da pessoa idosa na vida urbana. Durante os meses de pandemia, as tecnologias de comunicação foram – e continuam sendo – essenciais para amenizar o distanciamento físico, sobretudo daqueles que se enquadram nos grupos de risco. Elas também são um instrumento importante para garantir a autonomia das pessoas idosas. É importante que o poder público incentive iniciativas que promovam a inclusão digital, como é o caso dos Telecentros, que oferecem agentes mediadores que auxiliam usuários e usuárias na utilização da internet e no seu letramento digital.

Para que as cidades sejam de fato inteligentes e inclusivas, elas também precisam combater a desigualdade. Segundo o estudo “Retrato da pessoa idosa na cidade de São Paulo”, vive-se mais nas regiões da cidade com melhor estrutura urbana e ofertas de serviços públicos, sobretudo em saúde e educação. Por outro lado, o índice de envelhecimento tem se alterado de maneira mais significativa na periferia da cidade.

Como vereador, trabalho para garantir que tenhamos uma cidade simples e inclusiva. Tendo em mente as necessidades da população idosa, destinei verbas de emenda parlamentar para reforma de calçadas, praças e para a compra de equipamentos de ginástica para academias adaptadas à terceira idade e pessoas com deficiência. Também apresentei projeto de lei que inclui no calendário de eventos da cidade o Dia do Vôlei Adaptado à Melhor Idade, de modo a incentivar a realização de práticas esportivas e de lazer para esta faixa etária.

A Prefeitura de São Paulo disponibiliza em sua página na internet um mapeamento dos serviços, programas, projetos e rede de atendimento voltados à terceira idade. Um exemplo é o Polo Cultural da Terceira Idade, localizado no bairro do Cambuci, que oferece oficinas socioculturais gratuitas nos campos da cultura, lazer, esporte, educação e saúde, para o estímulo, motivação e sensibilização da pessoa idosa no fortalecimento e integração social.

Cidades inteligentes utilizam a tecnologia e a inovação para melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos e cidadãs, oferecendo serviços que tornem a vida mais descomplicada, simples e sustentável. São Paulo já avançou bastante no caminho de se tornar uma cidade inteligente para a população idosa, mas ainda há muito a ser feito. É preciso ampliar os serviços e políticas já existentes, incluir a população idosa periférica e garantir que seus direitos sejam contemplados também nessa etapa da vida.